Os 7 pilares da qualidade na gestão em Saúde
Além de melhorar processos internos, os conceitos desenvolvidos pelo doutor Donabedian, considerado o pai da qualidade em Saúde, permitem que as instituições atinjam a excelência
O médico Avedis Donabedian é considerado um dos precursores da qualidade na Saúde. Foi ele quem criou os sete pilares da qualidade que a gestão em Saúde deve ficar atenta de modo a garantir a excelência dos serviços prestados ao paciente:
- Eficácia;
- Efetividade;
- Eficiência;
- Otimização;
- Aceitabilidade;
- Legitimidade;
- Equidade.
A adoção desses passos em sua plenitude requer mudanças na cultura organizacional e uma repaginação dos processos internos da instituição, ações que costumam ter um alto custo financeiro e de tempo. Por isso, é cada vez mais frequente o uso da tecnologia para uma melhor gestão da qualidade na Saúde.
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“Cada vez mais centros de atendimento e serviços de Saúde, independentemente de serem grandes centros hospitalares ou pequenos prestadores de serviço, têm buscado acreditações. E a prerrogativa para conquistá-las é a qualidade da assistência. Para mim, essa é uma ótima notícia, pois penso que a qualidade é uma premissa básica na área da Saúde, todos precisam ofertá-la”, avalia Leandro Lazzareschi, coordenador do curso de MBA em qualidade e segurança do paciente nas organizações de Saúde no Centro Universitário São Camilo.
O especialista garante que a gestão em Saúde deve estar atenta ao gerenciamento de processos internos, uma medida que se tornou ainda mais fundamental durante a pandemia:
“Todos os serviços de Saúde estão revendo seus processos e, assim, a qualidade da assistência, que já era boa, vai melhorar ainda mais.”
Na visão do especialista, as próprias metodologias de acreditação devem aprimorar a avaliação com foco em como os serviços estão preparados para crises sanitárias, observando não apenas pontos da assistência, mas também a qualidade das equipes e o acesso aos insumos. Muitas delas, inclusive, já exigem planos de contingência no caso de catástrofes, epidemias, entre outros.
Conheça agora os sete pilares da qualidade assistencial que a gestão em Saúde deve acompanhar de perto:
Pilar 1: Eficácia
Eficácia é sinônimo de resultado por isso, tem foco externo. É claro que um hospital pode ser mais eficiente do que o outro por ter uma equipe que realiza os processos de modo mais rápido ou por ter treinamentos mais assertivos.
“No início da pandemia da Covid-19, por exemplo, os centros hospitalares não estavam sendo eficazes porque não sabiam o que fazer com os pacientes que chegavam aos montes. Só depois, ao desenvolver seus processos de atendimento, é que atingiram esse pilar”, relembra Lazzareschi.
Pilar 2: Eficiência
“Se a eficácia leva a um melhor resultado, a eficiência está diretamente relacionada ao custo”, sintetiza Lazzareschi, que completa: “Quase todos que realizam uma tarefa conseguem ser eficazes, mas a eficiência só é atingida quando algo é bem feito, minimizando o gasto de tempo ou custo.”
Para ficar claro o contexto e como todos os pilares de qualidade estão interligados, imagine duas instituições que realizam um mesmo procedimento, como uma consulta ortopédica, mas em uma delas há um aparelho de radiografia à disposição que deixa o diagnóstico do paciente um pouco mais rápido. Assim, embora às duas instituições sejam eficazes para o resultado — diagnóstico do paciente — a primeira é mais eficiente porque faz a mesma coisa em menos tempo.
Pilar 3: Efetividade
Instituições que são eficazes e eficientes entregam um serviço de qualidade no menor espaço de tempo, o que garante efetividade ao impacto gerado.
“Só é possível falar em efeitos reais quando a instituição investe no mapeamento dos processos e consegue observar bem os pontos de falha para, automaticamente, corrigi-los”, diz o especialista.
As acreditadoras, por exemplo, se preocupam muito com a efetividade das instituições acreditadas e, para tanto, conferem até mesmo os anais dos prontuários eletrônicos para verificar dados como uma prescrição correta em tempo hábil para a tomada de uma medida a contento.
Pilar 4: Otimização
Economizar o tempo gasto com atividades desnecessárias e potencializar o tempo gasto naquilo que realmente é importante é o princípio da otimização.
“Desde quando surgiram as primeiras ISOs para o controle da qualidade nas instituições, houve uma discussão pela padronização dos processos que também permitiu melhorá-los. Essa otimização tem uma ligação direta com redução de custos desnecessários, seja de tempo ou de dinheiro”, conta Lazzareschi.
Pilar 5: Aceitabilidade
Esse pilar diz respeito à autonomia do paciente e a sua própria expectativa sobre o atendimento.
“Hoje, além de mais humanizada, a assistência valoriza muito a opinião do paciente e de seus familiares, que são convidados a conhecerem melhor e fazerem parte das decisões durante o tratamento. Claro, que tudo isso é feito levando em conta o que vai gerar mais eficácia, eficiência e efetividade ao prognóstico”, explica o professor.
Pilar 6: Legitimidade
A legitimidade é conquistada quando a qualidade no serviço faz com que a instituição se torne uma referência tanto para quem trabalha ali quanto para a sociedade em geral. Lazzareschi destaca que essa é uma forma de os serviços de Saúde direcionarem mais as suas frentes em determinado perfil de atendimento, o que ajuda com que sejam cada vez melhores.
Pilar 7: Equidade
O último pilar, equidade, diz respeito à manutenção da qualidade na prestação do atendimento assistencial para todos os indivíduos, sem distinção de raça, de credo ou socioeconômica.
“Tendo os processos bem desenhados dentro de uma instituição é possível atingir altos níveis de qualidade assistencial, independentemente se a instituição é privada ou pública”, garante o professor.
Tecnologia como aliada
Além desses pilares, o especialista ainda destaca que a comunicação mais afinada entre as equipes, aliada ao uso da tecnologia, potencializa o alcance da qualidade.
“A tecnologia permite inúmeras possibilidades ao setor, de reuniões online com os times até o rápido acesso ao resultado de um exame do paciente”, exemplifica Lazzareschi.
O especialista ainda lembra que, na gestão da qualidade, é sempre preciso antecipar ações para evitar o risco dos eventos adversos. Nesse sentido, a tecnologia também se torna uma aliada, com destaque para a inteligência artificial.
“A IA é a grande aposta futura para mapear e eliminar as possíveis causas de um problema, ajudando na contenção de dinheiro desperdiçado com a prevenção”, acredita.
